Autor Mensagem
Leonardo T. de Oliveira
MensagemEnviada: Ter Mar 20, 2007 6:44 pm    Assunto:

Por que que ele só dava uma espezinhadinha pra marcar as vozes na polifonia? Não era tudo ligadinho...
Paulo Egídio
MensagemEnviada: Dom Mar 04, 2007 11:26 pm    Assunto:

Todos, Léo.

Aquilo foi o perfeito pastiche. Violino moderno, arco barroco, técnica moderna, interpretação pretensioamente barroca, com aqueles tempos doidos, acordes sujos nos movimentos rápidos, movimentos lentos com aquela suposta liberdade rítmica que Bach se daria, seria da época, (confesso que fico me perguntando sempre pra que escrever duas quartifusas em um compasso do Adagio da primeira Sonata se não há a intenção de tocar exatamente o que está escrito!).

As fugas me deixaram decepcionado, os movimentos rápidos mais homofônicos (tipo Corrante e Double da primeira partita e o Prelúdio da terceira) impressionaram pela virtuosidade, bem como a seção de arpejos da Chacona.

Saliento como positiva e muito bem feita a polifonia dos movimentos lentos em geral, feita na base da dinâmica pura - o baixo quase sempre f, em contraste com a linha melódica - e, caramba, é óbvio que ele é um violinista espetacular. Mas como artista decepcionou sobremaneira. Quis ser diferente pelo diferente. Falou em entrevistas que Szeryng e Milstein tocavam com o ego e não com a música, mas nunca vi e creio que jamais verei um violinista tão ególatra.

É uma questão conceitual: Como violinista "moderno", ainda sou atraído vez por outra pelas interpretações que carregam uma, como diz o sr. Gripp, "capa de gordura", e reconheço o trabalho que tenta restaurar a tal sonoridade de época, etc., embora refute a arqueologia que tende a se tornar meio talibã (já arrumei briga no allegro por esta palavra, mas retomo-a). Esta é amparada em uma certa cientificidade, aquela numa tradição, que se formou claramente no anacronismo da última metade do século XIX, auge do romantismo. Mas foi, à sua maneira, sendo limpa, num processo que aos poucos revisou a tradição sem nunca negá-la totalmente, sem transformá-la em dogma.

Creio que até o mais ferrenho defensor de instrumentos de época há de admitir que não se pode comprar a sonoridade, "estilo", articulações, andamentos, que Joachim usou pra tocar Bach (sim, há gravações, pra quem não conhece) com a de Heifetz e, por sua vez, com a de Szeryng e Grumiaux. Milstein foi o pioneiro dos grandes violinistas a limpar os excessos sem simplesmente romper com a tradição. Foi seguido particularmente por Szeryng que, com sua sobriedade e erudição (estudava as obras de Bach para violino, pasme, no órgão, e usava isto como modelo de sonoridade) tornou-se a referência do século XX para Bach em instrumentos modernizados.

Gringolts, com o extraordinário domínio técnico que tem no instrumento, foi capaz de não fazer nem uma coisa nem outra: rasgou a tradição mas não a substituiu por qualquer cientificidade. Decidiu tocar "de um jeito" e ponto. Transformou a noite que achei que ia ser das mais especiais da minha vida (as 3 Sonatas e Partitas numa noite!!!!) num tédio.

Felizmente eu vira a Schubertíade com o maravilhoso Régis Pasquier no mês anterior e levara meus alunos àquele concerto. Tivesse eu priorizado o Gringolts para eles e não teria me perdoado.

Mas gostaria de saber a opinião de mais alguém sobre este concerto estranhíssimo.
Leonardo T. de Oliveira
MensagemEnviada: Sáb Mar 03, 2007 12:40 pm    Assunto:

Finalmente, Paulo! Very Happy

E o Gringolts rendeu pano pra manga aquela noite... Mas ei..., "Bach afetado" em que sentido? XD
Paulo Egídio
MensagemEnviada: Sex Mar 02, 2007 1:41 pm    Assunto: Partita 2 de bach em Curitiba, e assuntos afins.

Galera de Curitiba,

Dia 21/03, quarta-feira, às 20:30, vou tocar a partita 2 de Bach completa, no auditório da Escola de Música e Belas-Artes do PR.

É aquele tipo de sonho que, quando bate à sua porta, vira um pesadelo... bem disse meu professor ontem: "quando você vai começar a chacona tem a sensação de que está diante de algo muito maior do que você pode suportar".

E é isto mesmo. Você se sente minúsculo quando a toca. É curioso: Sem ela, a Partita 2 seria a porta de entrada natural para um aluno executar uma sonata ou partita completa. Muitos professores iniciam o aluno em Bach-solo pela Allemande e Giga desta Partita. Mas a Chacona veio concluí-la e jogar a obra inteira pro Everest.

Mas lá vou eu, com máscara de oxigênio e tudo!

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Aproveito o tópico para perguntar quem viu o Ilya Gringolts ano passado, tocando seu Bach afetado. Ele esteve no Brasil bem quando o allegro subiu no telhado, assim não sei as opiniões dos allegronautas. Já aviso que me decepcionei sobremaneira.

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